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Uma vida de inovações

Eduardo de Lima iniciou-se em áudio já na adolescência, montando inicialmente suas primeiras caixas acústicas e logo a seguir amplificadores solid state e valvulados push-pull. Muitos anos de experiência nessa área acabaram por levá-lo, em 1994, à montagem de seu primeiro "single ended" utilizando válvulas 300B, dispositivos projetados por volta de 1930 (nos primórdios do cinema falado) e que haviam sido recentemente redescobertos pelo mercado de áudio. A musicalidade e naturalidade arrebatadoras do estranho amplificador superaram qualquer expectativa. Com sua formação "ortodoxa" de projetista graduado em Engenharia Eletrônica pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Mestre em Engenharia Elétrica pela Syracuse University nos Estados Unidos (M.S.E.E.), Eduardo de Lima custou a aceitar o que ouvia. Os agudos eram limitados e os graves lentos e mal controlados (características conhecidas das anacrônicas 300B) mas nada disso importava: vozes e alguns instrumentos soavam reais e cativantes, a faixa média das frequências era simplesmente mágica.Assim, Eduardo de Lima passou os anos seguintes integralmente dedicado a descobrir o segredo desta magia e como obtê-la sem perdas nos extremos da faixa.

Em 1997 funda a AUDIOPAX, a empresa que seria a representação de suas pesquisas e sonhos e já neste ano apresenta seu primeiro par de amplificador / caixa acústica no evento dedicado à válvulas "VSAC", em Silverdale (EUA). Ainda em 1997 cria o LM3 (Low Mu Triode with Higher Raw Efficiency Emulator - LMTHREE), um circuito que emula o comportamento das 300B com válvulas de simples reposição. Essa tecnologia foi utilizada nos amplificadores SE388, que juntamente com as novas caixas CX305B foram apresentados no Hi-Fi Show 98 em São Paulo (em sua primeira participação em uma feira no Brasil na que seria lembrada posteriormente como a "sala da adega" e no mesmo VSAC de Silverdale de 1998, com resposta entusiástica em ambos os casos.

Após vários outros lançamentos projeta em 2001 um equipamento que se tornaria uma lenda em todo o mundo: o Model 88, um dos mais inovadores amplificadores de todos os tempos, com inúmeras invenções em conceitos, topologias e circuitos, entre elas o conceito de "Timbre Lock®", o único ajuste que adapta o espectro de distorções do amplificador ao da caixa a ele conectado. O Model 88 ganhou inúmeros prêmios, reviews entusiasmados e capas de revistas especializadas: Classe A na Stereophile, categoria Diamante na Áudio e Vídeo, Blue Moon Award na 6Moons, prêmio "Industry Award" da Hi-Fi News e ainda hoje é referência permanente de vários reviewers no mundo inteiro.

Em 2003 cria mais um produto de referência absoluta: o préamplificador Model 5, também com inúmeras inovações e incorporando o mesmo conceito já premiado no Model 88 do Timbre Lock®.

Participou ativamente de feiras nacionais e internacionais entre 2002 e 2006, sempre apresentando preamplificadores, amplificadores e caixas acústicas com projetos inovadores. Obteve assim reconhecimento mundial e inúmeras citações de "Best of the Show" pelas principais publicações do mundo. De 2007 a 2010 concentrou-se no mercado nacional, com a criação de novos produtos direcionados ao mercado de entrada, uma parceria com a Lando, o lançamento das novas gerações de seus eletrônicos e a união dos conceitos de luthieria e engenharia em sua nova série de caixas acústicas.

Em 2011 lança seu novo amplificador: o Maggiore M100. É mais um projeto revolucionário, onde pela primeira vez no mercado é criado um single ended classe A1 com até 130W de potência, um sonho de todos os amantes da música. Em seu primeiro review Fernando Andrette, da revista Áudio Vídeo Magazine, indica: "Afirmo ser o Maggiore M100 o amplificador mais musical que escutei em toda a minha vida". Neste mesmo ano é também aclamado na HiEnd 2011 – a maior feira de áudio do Brasil – e volta também às feiras internacionais, participando do T.H.E. Show 2011 (evento paralelo ao CES 2011) e da maior feira de áudio do mundo: o High End Show 2011 de Munique. O habitual sucesso se repete: inúmeras citações como a melhor sala em ambas as feiras.

Eduardo de Lima encontrava-se em sua fase mais criativa quando um problema em sua artéria aorta levou-o prematuramente aos 54 anos. Nos últimos meses havia projetado novos preamplificadores, toda uma série de amplificadores híbridos de alta potência e duas novas séries de caixas acústicas. Trabalhava também em conceitos revolucionários, como a definição do que realmente traz o reconhecido diferencial das válvulas e vinis, algo que brevemente seria aplicado nos seus próximos projetos. Eduardo deixa um filho, Lucas de Lima, que assume sua parte na empresa e que seguirá em conjunto com toda a atual equipe da Audiopax o seu sonho – uma empresa que traga de volta toda a emoção que sentimos com a música.

Artigos

Artigos publicados na revista Glass Audio sobre a impedância de saída dos "single ended" e seus efeitos



Artigo sobre distorção no casamento amplificadores e caixas apresentado em palestra na UFMG



Artigos em inglês sobre a distorção no casamento amplificadores e caixas



Depoimentos

Eduardo de Lima visto pelos amigos ...

AO AMIGO EDUARDO DE LIMA (1958-2012) 'O QUE É TUDO SENÃO O QUE PENSAMOS DE TUDO?' Fernando Pessoa

Acredito que a melhor forma de homenagear o querido amigo Eduardo de Lima, que se foi no ápice de sua criatividade e genia- lidade, é compartilhar com os antigos e novos leitores fatos que tive a honra de vivenciar com ele nos últimos 16 anos. Nos conhecemos pelas contingências de mercado: ele como fabricante de equipamentos de áudio, e eu como editor da revista e organizador do Hi-End Show. Nossa aproximação e amizade nasceram da paixão em comum pela música e física quântica. Quando descobrimos que compartilhávamos dos mesmos interesses nessas duas áreas, passamos a nos falar quase todos os dias, ainda que estivéssemos separados por mais de 500 km!

Mas toda história tem um começo, e o nosso não poderia ser mais emblemático, pois desde seu primeiro telefonema, perguntando se ainda existia um espaço no Hi-End Show de 1997 (pois ele desejava apresentar seu novo amplificador valvulado e sua nova caixa), descobri que iria conhecer uma pessoa diferenciada. Lembro-me de sua chegada ao local do evento (uma mansão no Morumbi) apenas um dia antes da abertura, com um amplificador cheio de componentes pendurados, uma caixa acústica com osalto-falantes ainda para serem colocados no gabinete e uma sa- cola com ferro de solda etc. Como não havia mais espaço dispo- nível, ele aceitou ficar na adega da casa, um local com péssimas condições acústicas, dimensões reduzidas e que permitia apenas uma pessoa de cada vez ouvindo o sistema! Tinha-se todas as condições para sua apresentação ser um fiasco, e no entanto foi um sucesso tão grandioso que seu sistema foi eleito pelo público o melhor som do evento!

A pergunta após o término do evento que todos faziam era: Quem é Eduardo de Lima? De onde surgiu aquela figura, misto de professor Pardal, Einstein e aquele amigo nerd que todos tivemos na escola? Descobri rapidamente se tratar de uma pessoa cativante, generosa e humilde, que sempre tratou todos que se aproximavam da mesma maneira e sem distinção, fosse um po- tencial comprador ou apenas um admirador. Sua generosidade e humildade era tão inerente ao seu caráter, que jamais em 16 anos de convivência o vi falar mal de alguém. E mesmo depois de ganhar notoriedade e respeito internacional, sua postura continuou sendo a mesma de sempre.

Quando Eduardo falava de seus novos projetos, ele o fazia de forma tão empolgante que criava em nós imediatamente a vontade de conhecê-los, mas depois sempre terminava com uma fraseque para mim dizia muito de sua integridade e correção como ser humano: 'Não estou dizendo que é melhor, e sim que é diferente'. E ele sempre esteve certo em sua afirmação, seus produtos ainda levarão anos para serem apreciados com o devido rigor de qualidade e precisão, que não só os torna diferentes de todos os produtos hi-end, como os coloca em uma classe à parte de tudo que até aqui existiu! Foi assim com o amplificador apresentado no Hi-End Show de 1997, como com todos os produtos por ele lançados desde então. Os que nos acompanham há muito tempo sabem que testei os pré-amplificadores Model 5 e 7 e os amplificadores Model 88 e Maggiore, e em todas essas avaliações deixei muito explícito o quanto seus produtos me impressionaram! Ao escutar o pré-amplificador Model 5, liguei para o Eduardo e o chamei de Niels Bohr (físico dinamarquês, que utilizou em 1913 a ideia de quanta de luz para sugerir que, em todo o mundo do átomo, ocorre um sem número de saltos quânticos). Ele ficou surpreso e honrado por eu fazer uma associação de suas descobertas no plano da 'interação de distorções' com a teoria do salto quântico. Minha analogia com o salto quântico foi pela possibilidade que o Model 5 proporciona ao usuário de compatibilizar o seu pré-amplificador com qualquer cabo entre a fonte e o pré, e entre este e o power, através do ajuste do timbre lock! Liberdade jamais levada a esse patamar em nenhum outro pré-amplificador que eu conheça.

Lembro-me da aceitação do Eduardo ao sugerir a ele o uso do conceito 'A sustentável leveza do som' na comunicação e propaganda dos powers Model 88. Sugeri esse conceito pelo simples fato de que a sensação imediata ao acoplar o Model 5 ao monobloco Model 88, e ajustar o timbre lock de ambos os produtos, nos permitia escutar 'acontecimentos' não presentes em outros equipamentos, criando uma janela capaz de 'sustentar' e apresentar os detalhes mais sutis ou quase inexistentes! Quando apresentei minhas observações da dupla, novamente lhe chamei de Niels Bohr, mas agora fazendo uma analogia com o físico em relação à sua afirmação, de que 'Os elétrons não são ondas nem partículas'. Queria lhe passar a sensação que tive dos dois Audiopax em conjunto, que dependendo do grau do observador po- diam apresentar o conteúdo musical em uma dimensão micro ou mudando-se o ajuste em uma dimensão macro! Esse fenômeno sonoro ganhou notoriedade aqui no Brasil e no exterior, e fez do Eduardo de Lima o primeiro projetista brasileiro de áudio hi-end a ganhar prêmios e admiradores nos Estados Unidos e na Europa.

Desde 2009, a Audiopax estava se preparando para um novo salto comercial e mundial, e fui testemunha ocular de como essa estratégia estava sendo traçada. O Eduardo estava nos últimos dois anos produzindo como nunca, e o Maggiore 100 era apenas o primeiro ato deste novo cenário que se desenhava. Seu novo amplificador híbrido e pré apresentados no último Hi-End Show em outubro estavam para ser despachados para testes, e se tudo desse certo seriam publicados na edição de março de 2013.

No dia 18 de novembro conversamos longamente, e o Eduardo, além de feliz com os novos produtos, confessou pela primeira vez que acreditava que finalmente tinha feito o amplificador que eu poderia utilizar em meu sistema de referência. Fiquei ainda mais curioso, pois ele jamais havia afirmado que um produto seupudesse substituir os que utilizo (ainda que eu tenha usado o Model 5por quatro anos como um dos meus prés). Esse era o amigo Eduardo de Lima, sempre muito cuidadoso nas observações, suas certezas ele as guardava para si, jamais as impondo a ninguém! Todos nós choramos a partida dos que amamos. Alguns ficam muito tempo de luto, outros mergulham no trabalho para tentar suportar a perda, mas todos que sobrevivem precisam da compaixão do tempo para aprender a conviver com a dor e a saudade!

A minha dor pela perda do amigo, depois de muito refletir, desejo traduzir em homenagem, criando o prêmio Eduardo de Lima. Nosso objetivo é descobrir jovens projetistas talentosos na área de áudio estéreo, e ajudá-los a entrar no mercado. O ganhador terá um espaço no Hi-End Show 2013, teste publicado na revista na edição de setembro de 2013 e três anúncios de página in- teira, tudo inteiramente grátis, além da comercialização do seu produto no showroom do Soluções Hi-End! Os interessados po- derão solicitar imediatamente a ficha de inscrição pelo e-mail: [email protected] Uma bancada de jurados irá avaliar todos os produtos, e o ganhador será apresentado ao mercado na edição de agosto de 2013.

Enquanto escrevia esse texto, por vários momentos me veio à mente um poema do escritor Rabindranath Tagore, de que gosto muito, pois ele sintetiza o sentimento de todos aqueles que não se contentaram em apenas ser um número nesse planeta. São pessoas que se lançaram na vida repletas de curiosidade e sede de conhecimento, e que arriscaram a existência na busca do novo e do desconhecido.

'Eu escutei E olhei Com olhos bem abertos. Verti minha alma No mundo Procurando o desconhecido No conhecido. E canto em altos brados Em meu assombro!' Tagore

Fernando Andrette Clube do Audio e Vídeo

Fui recebido como colaborador da CAVI em um HI-FI Show há cerca de dez anos. Visitei a sala da Audiopax, vi Eduardo de Lima, mas não tive coragem de me aproximar. Eu o conhecia de nome. Não só pelas revistas brasileiras, mas pela web. Lá fora, ele era considerado uma das maiores autoridades do mundo em áudio. E eu era crítico de... cinema. O que dizer para alguém que me assombrava, que inventara o som dos meus sonhos?

Existe uma espécie de simpósio bianual sobre válvulas que trata de todas as aplicações possíveis do componente. Do áudio doméstico aos sistemas de mísseis. Há alguns anos, na Holanda, o Eduardo de Lima foi o homenageado.

A Noruega decidiu que a produção de sistemas audiófilos será uma das atividades econômicas a receber suporte e incentivos do governo. O país elegeu cinco equipamentos como referência absoluta para pesquisa e desenvolvimento. Dos cinco, dois são da brasileira Audiopax.

Como o Eduardo era o homem mais modesto do mundo, isso era dito com um sorriso tímido em lugar de letras garrafais na Internet ou nos jornais.

Voltando, no ano seguinte visitei o HIFI Show para escrever um artigo sobre a visão que o público tinha do evento. Depois de dois dias, mais de 20 horas de trabalho intenso percorrendo a feira inteira pra colher uma centena de depoimentos, entrei na sala da Audiopax pra descansar – e ouvir o que queria. Estava escuro e as cadeiras todas ocupadas. Me encostei na parede e fiquei. Na penumbra, um sujeito se aproximou, se inclinou ostensivamente para ler o meu crachá e começou a rir:

-- Você que é o Ricardo? Cara, eu acho o seu texto muito engraçado.

Era o Eduardo de Lima. E conversamos no que sobrava da noite. Eu estava tão cansado que, em dado momento, não sei como, me desequilibrei, e com as costas coladas na parede escorreguei até o chão. Para não constranger seu interlocutor, o Eduardo fingiu que aquilo não era um tombo patético e sentou no chão também. Isso tem nome: chama-se "fidalguia".

Como naquele ano o APX 03H (hoje, LandoAPX Argos 246) foi considerado o melhor som de entrada pelo Júri popular, pedi ao Fernando Andrette que autorizasse um artigo sobre o integrado. Ele mesmo já o havia feito, mas eu tinha uma perspectiva diferente, subjetiva, e ele generosamente autorizou.

Fui buscar o 03H na Audiopax. O Eduardo já tinha avisado, só podia conversar comigo por 15 minutos. Cheguei por volta das cinco da tarde. Uma e meia da manhã minha mulher ligou pra perguntar onde eu estava. Estava lá, com o Eduardo, que cancelou compromissos pra poder conversar. E consegui arrancar a promessa de que ele iria à minha casa no sábado seguinte para almoçarmos.

Ele chegou bem cedo porque não podia se demorar. Saiu de nossa casa por volta das onze da noite. Nunca conheci uma mente tão ágil, tão brilhante, lúcida e visionária em um espírito tão nobre. Todas as pessoas a quem apresentei o Eduardo foram arrebatadas por ele, que era uma expressão hiperbólica de humanidade.

Eduardo de Lima foi um dos homens mais extraordinários que já conheci.

E agora, que ele se foi, as lembranças fluem como um rio. Uma delas, em especial, revela parte do caráter do homem.

Meu filho, que tinha uns seis anos na época, perguntou se o Eduardo gostava de Mr. Bean. Ele gostava. Então o guri o chamou pra assistir um pouquinho, e lá se foram os dois de mãos dadas.

Meia hora depois, cadê o Eduardo?

Ele estava sentado no chão do quarto com o meu filho no colo, e abraçado a um labrador de 60 Kg sentado sobre as patas traseiras – quieto pela primeira vez na vida. Eu fiquei na porta do quarto olhando a cena enquanto as duas crianças riam e o cachorro permanecia em paz...

Quando alguém se vai, dizem que é a vontade de Deus. Isso é um erro. A vontade de Deus é que ninguém morra: nós somos criados para a Eternidade. O que se cumpre, quando alguém nos deixa, é a própria Vida. E essas lembranças tão simples e tão extraordinárias que nos transformam e nos fazem agradecer ao Criador pela dádiva de conhecer os seus melhores filhos – de agradecer o privilégio de terem cruzado nossas vidas –, pois essas lembranças devemos passar adiante. Só pra provar que todos nós podemos ser pessoas melhores.

Como o meu amigo – o melhor amigo que alguém poderia ter – Eduardo de Lima.

"Bem aventurados os que morrem no Senhor, pois suas obras os acompanham. 'Sim', diz o Espírito: 'Para que descansem das suas fadigas'." (Ap. 14:13)

EDUARDO LIMA, UM ESPÍRITO SUPERIOR, UMA INTELIGÊNCIA SUPERIOR.

Quando fui apresentado ao Eduardo da Audiopax na HI FI Amcham, tive a impressão de que havia algum engano, pois tive a sensação de que já o conhecia. Tempos depois, conversamos a respeito, e cheguei à conclusão que nos conhecíamos não daqui, mas talvez de outro plano espiritual. Certa vez, ele me disse que eu era a pessoa que mais havia vendido Audiopax no mundo e que, quem sabe, isso tivesse sido nossa combinação anterior.

Desconheço pessoa de melhor caráter e capacidade que o Eduardo. Em sua simplicidade e com seu sorriso, apresentava-nos seus produtos; e, com sua modéstia incomum, humildade que lhe era peculiar, surpreendia-se com o impacto positivo que eles causavam.

Eu tive a felicidade de apresentar ao Sílvio Pereira o produto Audiopax e o próprio Eduardo. Eles, além de sócios, tornaram-se "a tampa e a panela", amigos-irmãos. Isso, sem dúvida, também deve ter feito parte de nossa "combinação" lá atrás.

Aqueles que não acreditavam que, no Brasil, pudesse ser feito o Maggiore - que o Fernando Andrette me disse ser o melhor amplificador testado por ele em sua vida profissional - perderam a oportunidade de conhecer o criador e a criatura, o ser humano que estava à altura do gênio, Eduardo Lima. Já antevejo nosso próximo reencontro onde não fugirei da gozação de ele ter visto o seu Fluminense Campeão Brasileiro antes de partir.

Sei que ele está com Deus, mas nós sentimos e sentiremos a tua ausência. Hoje, estamos irremediavelmente mais pobres pois no Brasil, tão carente disto, Eduardo fica como exemplo de alguém que venceu todas as dificuldades, para mostrar ao mundo que, por aqui, passou um brasileiro que fez "apenas" a melhor eletrônica do mundo.

Fica em paz, amigo querido, tua missão aqui foi uma grande lição. O problema é a saudade que fica...És eterno, Eduardo!

Júlio César AudioClassic

Eu tinha um contato muito próximo com o querido amigo Eduardo, me causou uma grande tristeza sua partida,eu havia falado com Ele dois dias antes por um longo tempo, Eduardo estava muito feliz com os atuais projetos e o futuro da Audiopax. Eu o conheci em 2004 numa feira e ali me encantei com sua proposta, mas os valores dos equipamentos eram exorbitantes para que eu pudesse adquiri-los. Três anos se passaram e numa conversa rápida ao telefone, o convidei para um Concerto no Teatro Municipal do Rio. Ali nos encontramos e depois do Concerto, fui convidado para ir no Show Room da Audiopax, no dia seguinte. Ansioso o aguardei na porta do Hotel e, as 08:30 hrs o sorridente Eduardo apareceu. O caminho um tanto longo até o local e o trânsito terrível foi compensado pela conversa agradável que tivemos. Quando cheguei ao local vi que não se tratava de um Show Room, Eduardo havia me levado em sua casa, sinceramente me senti muito honrado por estar ali.

Sua sala era grande e não notei nenhum tratamento acústico, apenas cortinas grandes por trás do setup. Ali ouvi pela primeira vez o Model 55 e Model 88, lado a lado, e pude notar suas diferenças e semelhanças. Como levei alguns Cds de testes, coloquei calmamente um por um. Me recordo que o Eduardo anotou todos, por acharem bastante complexos para reproduzir com precisão. Tudo que ouvi ali ficarão marcado para sempre em minha memória devido a beleza dos timbres, velocidade e transparência. Foi neste dia que me considerei um refém do som da Audiopax. Nao sei dizer quais os olhos que brilhavam mais, estávamos perplexos e rendidos por aquele momento. Ouvimos música por 3 horas e não ficamos cansados. Saí dali certo que havia encontrado o som dos meus sonhos, mas como fazer para realizá-lo? Eduardo foi um cara incrivelmente generoso comigo, fez um negocio de pai para filho. Podem estar certo que eu não tinha a menor condição de comprar um setup Audiopax, mas o Eduardo deu um jeito.

O próprio Eduardo veio em casa me entregar os equipamentos, passamos a tarde montando o setup, e num momento Eduardo lembrou que havia deixado as válvulas do Pre APX 01. O Model 5 ainda não tinha ficado pronto e Ele me emprestou o APX 01. Depois de um momento de tensão e decepção de nós dois, eu disse ao Eduardo pra relaxar e fomos ao Frans Café e conversamos por horas. Ali eu pude conhecê-lo melhor. Eduardo era tímido mas de sorriso facil, seus olhos brilhavam como de uma criança feliz, eu estava em frente a um Gênio da arte do áudio que nunca se deixava envaidecer pelos comentários elogiosos que ouvia, esta característica de genialidade, humildade e caráter lhe eram únicos. Todos os elogios que fiz a Ele nestes anos, todos como as críticas construtivas, foram encaradas com a mesma simplicidade.

Eduardo não gostava de falar de si mesmo, sua humildade estava acima de sua honra, nunca eu o ouvi criticar ou falar mal de outro colega de profissão, nunca, nunca.

Foi muito enriquecedor para mim todos os momentos que passei ao lado do Eduardo, poderia escrever diversas paginas aqui, mas ainda assim seria muito pouco.

Nossas muitas conversas, risadas, seus conselhos, seu legado, sua simpatia, seu sorriso, sua simplicidade, sua humildade e sua amizade ficarão para sempre em minha memória.

Saudades de voce amigo.

Cesar Miranda Violinista da OSESP